{"id":17,"date":"2025-01-30T09:04:14","date_gmt":"2025-01-30T12:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/arlsguardioesdaamizade.com.br\/?page_id=17"},"modified":"2025-01-30T09:04:14","modified_gmt":"2025-01-30T12:04:14","slug":"origens-da-maconaria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/arlsguardioesdaamizade.com.br\/?page_id=17","title":{"rendered":"Origens da Ma\u00e7onaria"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Fundamentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de religi\u00e3o natural, como base espiritual da Ordem, alinha-se com a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir a lei moral e&nbsp; de trazer religiosidade no peito.&nbsp;&nbsp; Essa ideologia exposta encontra respaldo no Noaquismo donde emanam in\u00fameros preceitos, princ\u00edpios, procedimentos, premissas e proposi\u00e7\u00f5es que permeiam os aspectos doutrin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No\u00e9, \u00faltimo dos patriarcas pr\u00e9-hist\u00f3ricos, exemplo de f\u00e9 (Hebreus 11:7),&nbsp; arauto da justi\u00e7a (2 Pedro 2:5), representante de toda a Humanidade pela vontade de Deus,&nbsp; homem justo e perfeito (G\u00eanesis 6:9), aquele a quem Deus disse \u201cquem derramar o sangue de seu semelhante tamb\u00e9m ter\u00e1 o seu sangue derramado (G\u00eanesis 9:6)\u201d, enfim, foi protagonista da Primeira Alian\u00e7a com Deus, conforme retratado nos cap\u00edtulos 6 (seis) e 9 (nove) do G\u00eanesis, abrangendo toda a Cria\u00e7\u00e3o e as futuras gera\u00e7\u00f5es, deixou legado de artigos (mandamentos noaquitas) morais, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>a)<\/strong>&nbsp;praticar a equidade (e observar a justi\u00e7a);<br><strong>b)<\/strong>&nbsp;n\u00e3o blasfemar o nome de Deus (e dar gl\u00f3ria ao Criador);<br><strong>c)<\/strong>&nbsp;n\u00e3o praticar a idolatria;<br><strong>d)<\/strong>&nbsp;n\u00e3o praticar atos imorais ou inescrupulosos;<br><strong>e)<\/strong>&nbsp;n\u00e3o matar;<br><strong>f)<\/strong>&nbsp;n\u00e3o roubar;&nbsp; e<br><strong>g)<\/strong>&nbsp;guardar-se da fornica\u00e7\u00e3o, dos atos impuros e da iniq\u00fcidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o m\u00edtica basilar da Ordem (calcada na Lenda do Terceiro Grau), parte da premissa&nbsp; de que o arqu\u00e9tipo do Mestre Ma\u00e7om, construtor social na abordagem atual, \u00e9 paradigma&nbsp; de arquitetura humana perfeita e vem representado, de um lado, por Salom\u00e3o e seu grande Arquiteto, do templo de Jerusal\u00e9m, e, de outro lado, por Vitr\u00favio (Marcos V. Poli\u00e3o, inexced\u00edvel arquiteto romano), comandado do Imperador Augusto, em Roma.&nbsp; Tal afirma\u00e7\u00e3o visa a propiciar a perman\u00eancia, em tempo e espa\u00e7o, dos elementos cuja exist\u00eancia tem garantido o processo civilizat\u00f3rio, como se seguem:<br>&#8211; um grande homem&nbsp;&nbsp; &#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>o Ma\u00e7om<\/strong>&nbsp;&#8211;&nbsp;&nbsp; fal\u00edvel mas perfect\u00edvel;<br>&#8211; uma estrutura singular&nbsp;&nbsp; &#8211;&nbsp;&nbsp;<strong>a Loja<\/strong>&nbsp;&#8211;&nbsp;&nbsp; com decisivo corte sagrado\/profano via o Rito,&nbsp; \u00eanfase na ajuda m\u00fatua e submiss\u00e3o serena \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o e regimentos comuns;<br>&#8211; uma elite sustentada pelo mito&nbsp;&nbsp; &#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>a Ma\u00e7onaria<\/strong>&nbsp;&#8211;&nbsp;&nbsp; capaz de a\u00e7\u00f5es enaltecedoras, movida que \u00e9 pelo Amor, o Bem e a \u00c9tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A&nbsp;Loja<br><\/strong><br>William Shaw,&nbsp; nomeado mestre-de-obras do rei da Esc\u00f3cia, em 1553, controlava a contrata\u00e7\u00e3o de pedreiros e construtores.&nbsp;&nbsp; Em 1598, quatro anos antes de morrer (1602), codificou as regras de cria\u00e7\u00e3o de lojas corporativas (a primeira carta de St. Clair; para ma\u00e7ons).&nbsp; Ap\u00f3s sua morte declinou e \u201cmorreu\u201d, tamb\u00e9m, a fun\u00e7\u00e3o de mestre-de-obras-do-rei.<\/p>\n\n\n\n<p>As lojas, maci\u00e7amente voltadas para a recep\u00e7\u00e3o de Aprendizes e aumento de sal\u00e1rios (para Companheiros), passaram a evoluir autonomamente. O uso do termo \u201cma\u00e7om\u201d consolida-se por volta de 1610, associado ao modo secreto de identifica\u00e7\u00e3o que comprovava a qualifica\u00e7\u00e3o profissional do obreiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta de 1630&nbsp; come\u00e7a a crescer bem o n\u00famero de \u201caceitos\u201d, geralmente vindos das classes burguesas ou nobres,&nbsp; em lojas, oriundos de fora do \u201cm\u00e9tier\u201d corporativo dos talhadores de pedra.<br>A presen\u00e7a desses&nbsp; \u201caceitos\u201d em loja s\u00f3 pode ser explicada por hip\u00f3teses, quais sejam:<br>&#8211; interesse pela tradi\u00e7\u00e3o, supostamente preservada pelos ma\u00e7ons;<br>&#8211; busca de espa\u00e7o de conv\u00edvio ou sociabilidade;<br>&#8211; liga\u00e7\u00e3o profissional com a corpora\u00e7\u00e3o de construtores; ou<br>&#8211; iniciativa de ma\u00e7ons para atrair patroc\u00ednio de homens influentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas origens, tal como hoje, os \u201caceitos\u201d dotados de poder, influ\u00eancia e ou autoridade n\u00e3o freq\u00fcentavam as lojas;&nbsp; aqueles dentre eles que se permitiam freq\u00fcentar, dominavam a \u201cvida\u201d da loja.<\/p>\n\n\n\n<p>Isaac Newton (1642-1727), astr\u00f4nomo, f\u00edsico, fil\u00f3sofo e abade ingl\u00eas, considerou o Noaquismo a religi\u00e3o primitiva dos hebreus, e, assim o resumiu:&nbsp;&nbsp; \u201cAmar ao Senhor Deus de todo o cora\u00e7\u00e3o, de toda a alma e de todo o esp\u00edrito, e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Modernidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar que a simples transi\u00e7\u00e3o, geralmente divulgada, da chamada Ma\u00e7onaria Operativa, via \u201cpedreiros-livres\u201d, para a Ma\u00e7onaria Especulativa,&nbsp; nunca conseguiu explicar de forma justa e perfeita o porqu\u00ea da Ordem Ma\u00e7\u00f4nica ser linguagem universal, regular, prazerosa, emblem\u00e1tica, planetariamente bem resolvida e assimilada, reposit\u00f3rio imemorial dos mist\u00e9rios e&nbsp; da Tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As Lojas dos s\u00e9culos XVII e XVIII participaram da g\u00eanese de uma&nbsp; \u201cesfera p\u00fablica burguesa\u201d&nbsp; como contrapartida da perda gradual de posi\u00e7\u00e3o dominante, tanto das Cortes quanto da Igreja. Poucos,&nbsp; muito poucos documentos existentes sobre a Inglaterra do s\u00e9culo XVII n\u00e3o permitem representar precisamente a organiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o do ma\u00e7om;&nbsp; havia, sim, certa heterogeneidade de pr\u00e1ticas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1717\/1720, situado caracteristicamente na Inglaterra, surge um grupo de perten\u00e7a ma\u00e7\u00f4nica, de sociabilidade,&nbsp; com quatro elementos t\u00edpicos principais, a saber:<br><strong>1-<\/strong>&nbsp;reivindica\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o natural como base espiritual;<br><strong>2-<\/strong>&nbsp;inser\u00e7\u00e3o do grupo em contexto tradicional, vinculado ao trabalho do artes\u00e3o e construtor civil;<br><strong>3-<\/strong>&nbsp;pr\u00e1tica de Rito elaborado;&nbsp; e<br><strong>4-<\/strong>&nbsp;coopta\u00e7\u00e3o dos membros via obriga\u00e7\u00e3o de sigilo, principalmente quanto \u00e0s reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1670 e 1730, nos clubes, caf\u00e9s, sal\u00f5es, academias cient\u00edficas, sociedades de intelectuais e, nas Lojas, aristocratas e burgueses encontravam-se para \u201cconstruir juntos\u201d um uso p\u00fablico do seu entendimento convergente. Esses espa\u00e7os propiciavam a realiza\u00e7\u00e3o da aspira\u00e7\u00e3o \u201cdo debate permanente entre pessoas privadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas princ\u00edpios presidiam \u00e0 afilia\u00e7\u00e3o dos participantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a exig\u00eancia\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0\u00a0 ainda que n\u00e3o se concretizasse\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0\u00a0 de uma sociedade onde a autoridade dos argumentos prevalecesse sobre a hierarquia social (embora n\u00e3o anulasse as autoridades presentes);<\/li>\n\n\n\n<li>o debate amplo sobre dom\u00ednios e domina\u00e7\u00f5es, dominantes e dominados, notadamente obras liter\u00e1rias e filos\u00f3ficas, nunca antes acess\u00edveis;<\/li>\n\n\n\n<li>a consci\u00eancia de perten\u00e7a a um territ\u00f3rio mais amplo, a pr\u00f3pria \u201csociedade civil\u201d,\u00a0 ainda que a\u00a0 sociabilidade da Loja tenha natureza de\u00a0 \u201cc\u00edrculo fechado\u201d, mas socialmente homog\u00eanea.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A ma\u00e7onaria moderna, que apresenta d\u00e9ficit de textos precisos relacionados \u00e0s origens, surgiu antes do Reino Unido;&nbsp; em 1707 houve o tratado da uni\u00e3o entre Esc\u00f3cia e Inglaterra;&nbsp; o Reino Unido da Gr\u00e3-Bretanha e Irlanda nasceu em 1808. A \u00faltima quadra do s\u00e9culo XX viu emergir, com certa for\u00e7a e vigor, a pesquisa sobre o fato e o trato ma\u00e7\u00f4nicos, o que vem trazendo luz sobre seus par\u00e2metros sociol\u00f3gicos e dados constitutivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com o concurso de investigadores acad\u00eamicos, nem sempre ma\u00e7ons, mas atores fi\u00e9is aos fatos hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos, admite-se que a Ordem Ma\u00e7\u00f4nica atingiu o est\u00e1gio atual ao evoluir a partir de tr\u00eas transi\u00e7\u00f5es principais,&nbsp; ditadas pela vontade do GADU, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>a)<\/strong>&nbsp;da situa\u00e7\u00e3o \u201cOperativa\u201d, acostada nas Associa\u00e7\u00f5es de art\u00edfices e profissionais da constru\u00e7\u00e3o e do talho da pedra, para&nbsp; uma natureza mais \u201cEspeculativa\u201d, de forma lenta e gradual, em v\u00e1rios s\u00e9culos, capaz de avaliar a conjuntura da sociedade e delinear seus rumos ideol\u00f3gicos;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>b)<\/strong>&nbsp;a cria\u00e7\u00e3o da Grande Loja de Londres&nbsp; &#8211;&nbsp;&nbsp; a&nbsp;&nbsp; \u201cPremier\u201d&nbsp; &#8211;&nbsp;&nbsp; que foi acompanhada&nbsp; por profundas mudan\u00e7as de simbolismos, rituais, cargos e encargos, e mais simult\u00e2nea e profundamente, ainda, no \u201c\u00eathos\u201d&nbsp; de cada indiv\u00edduo, robustecendo o sentimento de perten\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter e ao protagonismo, individual ou coletivo, a cumprir, bem como o \u201c\u00e9thos\u201d da institui\u00e7\u00e3o, que&nbsp; refor\u00e7ou ontol\u00f3gica e antropologicamente a atua\u00e7\u00e3o da Ordem no contexto da Fam\u00edlia, da P\u00e1tria, da Sociedade e da Humanidade, tecendo, assim, em pleno Humanismo e Iluminismo, do s\u00e9culo das Luzes (sec. XVIII), rumos institucionais e filos\u00f3ficos;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>c)<\/strong>&nbsp;ap\u00f3s&nbsp; algumas rebeli\u00f5es e rompimentos a terceira transi\u00e7\u00e3o ocorreu sob forte&nbsp; reconcilia\u00e7\u00e3o entre contendores radicais,&nbsp; em 1813, e a cria\u00e7\u00e3o da Loja-M\u00e3e Unida da Inglaterra, consolidando, afinal, caminho inici\u00e1tico, lit\u00fargico e simb\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>d)<\/strong>&nbsp;Cumpre assinalar, afinal, sobre as origens da Ordem, em que pese&nbsp; o cen\u00e1rio multifacetado e, ainda, pouco preciso dos textos hist\u00f3ricos, que os estudos s\u00e3o sempre enaltecedores e repletos de dignidade humana, jamais tangidos por fundamentalismo,&nbsp; sentimentos ou inten\u00e7\u00f5es menores, ou, que signifique menoscabo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o, \u00e0 Criatura e ao seu Criador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"qua-blog-post-description\">Fundamentos O conceito de religi\u00e3o natural, como base espiritual da Ordem, alinha-se com a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir a lei moral e&nbsp; de trazer religiosidade no peito.&nbsp;&nbsp; Essa ideologia exposta encontra respaldo no Noaquismo donde emanam in\u00fameros preceitos, princ\u00edpios, procedimentos, premissas e proposi\u00e7\u00f5es que permeiam os aspectos doutrin\u00e1rios. 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